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Aqui pode encontrar resposta para as suas dúvidas mais imediatas e desconstruir mitos amplamente divulgados com fatos devidamente fundamentados. Todos os dados fornecidos estão baseados em informações fornecidas por especialistas e em estudos realizados um pouco por todo o mundo. Se precisar de mais informações Fale Connosco através da Linha ABC – 707 450 179 ou por E-mail
Encontre aqui resposta para as perguntas mais habituais e esclarecimento sobre os principais temas ligados às Substâncias Psicoativas e às consequências do seu consumo.
A ABC entende como comportamentos desviantes aquelas ações que se desviam daquilo que se pode considerar, sob o ponte de vista da ética, o adequado para o desenvolvimento bio-psico-espiritual saudável de um indivíduo, podendo gerar consequências negativas para o próprio e/ou para terceiros. Estes comportamentos passam a ser considerados desordenados ou patológicos quando se apresentam com muita frequência ou com grande intensidade ou, ainda, durante um largo período de tempo.
Consideram-se comportamentos desviantes, por exemplo, a violência, o consumo de substâncias psicoativas, a utilização abusiva das novas tecnologias e do jogo, as vivências sexuais de risco, os desequilíbrios alimentares, entre tantos outros.
Droga ou Substância Psicoativa é qualquer produto, natural ou sintético, que provoque transformações na forma de pensar e sentir, alterando os comportamentos e a perceção da realidade. O consumo de drogas por qualquer pessoa coloca-a em situação de vulnerabilidade e de perigo, podendo conduzir à dependência.
A dependência de drogas consiste num estado físico e/ou mental que torna um indivíduo incapaz de parar de consumi-las, levando-o a ter comportamentos compulsivos para as obter e consumir periodicamente, com o objetivo de minimizar o desconforto físico (ex: dores no corpo) e mental (ex: ansiedade) sentido pela sua carência.
A dependência provocada pelo consumo de substâncias psicoativas pode ser física e/ou psicológica.
A dependência física manifesta-se na tolerância do organismo à droga, que obriga ao consumo de doses cada vez superiores para atingir o mesmo efeito, e na presença de um conjunto de sintomas, como dores no corpo, suores, tremores, vómitos, entre outros, que provocam ao indivíduo um forte desconforto físico.
A dependência psicológica resulta da associação entre o consumo destas substâncias e a obtenção de sensações agradáveis, levando o indivíduo a consumir de forma compulsiva para lidar com situações ou sentimentos desagradáveis, como a tristeza, ansiedade, frustração, medo, entre outras.
Para além da dependência de substâncias psicoativas (ou drogas) existem outras relacionadas com o jogo, a internet, o desporto, a alimentação, as compras, o sexo e muitas mais. Todas estas dependências têm em comum a perda de Liberdade porque o indivíduo passa a viver em função da sua dependência.
Sim. O consumo de qualquer droga pode provocar ou potenciar problemas de saúde mental devido à sua ação negativa sobre o sistema nervoso. Os problemas são mais graves quanto mais cedo se iniciar o seu consumo, sendo especialmente problemático na adolescência. Por exemplo, os consumidores de Canábis, também conhecido por charro, erva, chamón, haxixe, entre outros, têm uma maior probabilidade de ter episódios de psicose e até de desenvolver esquizofrenia.
Não. Os efeitos do consumo de uma substância psicoativa (ou droga) podem ser diferentes de pessoa para pessoa. Cada indivíduo apresenta características físicas e psicológicas distintas, desencadeando diferentes reações à ação das drogas. O estado emocional, a espectativa da pessoa e o meio envolvente também podem conduzir a diferentes reações ao consumo destas substâncias. Por outro lado, cada droga tem as suas próprias características químicas, produzindo diferentes efeitos no organismo de cada pessoa. O desconhecimento das características da substância, assim como forma como esta é utilizada e a quantidade consumida influenciam igualmente os seus efeitos.
Pode ser. O efeito das drogas e as suas implicações para o organismo variam muito consoante a sua composição e de como cada indivíduo responde à substância consumida. A diversidade de reações e a perigosidade das mesmas advém pois de fatores que o indivíduo raramente consegue controlar, uma vez que não sabe como é que o seu organismo reagirá à substância e porque na maioria das vezes desconhece a composição, e menos ainda os efeitos que cada componente lhe poderá provocar, assim como o grau de pureza, a fidedignidade da origem, a interação dessa substâncias com outras, legais ou ilegais, que tenha consumido, entre outros elementos.
É preciso ter consciência de que apenas um consumo pode ter consequências graves e prejudiciais para a sua saúde e segurança, como ataques de pânico, estados confusionais, surtos psicóticos e a redução de filtros que podem originar comportamentos de risco, como acidentes e relações sexuais desprotegidas.
Depende. Apesar de em geral o consumo de drogas poder temporariamente aliviar tensões internas, como por exemplo timidez, ansiedade, angústia e tristeza, proporcionando uma sensação falsa de “bem-estar”, a verdade é que, não raras vezes, os efeitos são adversos, provocando sensações de mal-estar físico e psicológico. Para além disso, o consumo continuado leva a estados de insatisfação crescentes e de dependência, desencadeando uma série de problemas pessoais, familiares e sociais. Perde-se a capacidade de pensar e sentir os problemas, mas eles não ficam resolvidos.
Não. O consumo de derivados de canábis (ex: charro) nem sempre dá uma sensação de bem-estar. Com alguma frequência o consumidor sente-se mal física e psicologicamente, uma vez que esta substância pode provocar palpitações, respiração acelerada, enjoos, quebras de tensão, sentimentos de angústia, ansiedade e até provocar paranoia.
Sim. O álcool é uma droga, apesar de ser legal para maiores de 18 anos. Também é considerada uma substância psicoativa, na medida em que afeta o Sistema Nervoso Central, alterando a forma como o indivíduo vê e interage com a realidade, interferindo na forma como a pessoa se sente e se comporta e diminuindo a capacidade para controlar os próprios movimentos, bem como a de avaliação das situações. Além disso, como todas as outras drogas, o consumo de álcool pode provocar dependência física e psicológica.
Sim. Mesmo em pequena quantidade o álcool tem efeitos ao nível da capacidade de concentração, da atenção, da motricidade e do tempo de reação. Para além disso, esta diminuição das capacidades pode não ser percebida pelo consumidor, o qual, não raras vezes, até julga que estão aumentadas.
Não. A capacidade das pessoas se divertirem depende do convívio que se estabelece entre elas, dos laços que se criam, da satisfação com os relacionamentos e do contexto em que os encontros acontecem. O consumo de álcool e/ou doutras drogas, embora possa parecer facilitador de tudo isso, engana, na medida em que, ao alterar o modo normal do indivíduo se relacionar, cria apenas a ilusão daquilo que ele gostaria de ser, mas não é.
Sim. A mistura de álcool outras drogas pode, nalgumas situações, ser bastante prejudicial para a saúde, uma vez que podem fornecer ao organismo o mesmo tipo de informação, potenciando determinados efeitos, ou fornecer informações antagónicas (contrárias) que podem provocar desequilíbrios físicos e mentais. Por exemplo, o álcool provoca o aumento dos níveis da desidratação, assim como o ecstasy, pelo que a mistura das duas substâncias pode provocar risco de desidratação extrema. Sabe-se também que o álcool tem um efeito depressor, enquanto muitas drogas têm um efeito estimulante, pelo que o resultado da mistura destas substâncias pode levar a complicações graves ao nível cardíaco.
Não, de todo. Estas drogas normalmente são produzidas em laboratórios clandestinos e ilegais, em locais onde não existe qualquer tipo de controlo de higiene, segurança e de fidedignidade dos produtos, sendo estas constituídas por substâncias químicas duvidosas que aumentam os riscos associados ao seu consumo.
A falta de conhecimento sobre a composição química das drogas sintéticas, muitas vezes designadas também por pastilhas ou novas substâncias psicoativas, torna-as extremamente perigosas, na medida em que têm um elevado risco de overdose e podem conduzir a graves problemas de saúde mental ou até à morte.
Ajudar alguém que consome drogas a entender os riscos e a mudar os seus comportamentos é desafiante e pode gerar alguns conflitos. Apesar disso, a amizade, o apoio e os conselhos podem ser valiosos para que uma pessoa se aperceba de que tem um problema.
Se te parece que o consumo de drogas é um perigo para a pessoa em questão, podes sempre começar por lhe transmitir a tua preocupação e opinião, uma vez que amizade não é sinónimo de aceitação de todos os comportamentos e opiniões do outro.
Para que alguém deixe de consumir drogas é necessário que admita que tem um problema e que queira receber ajuda. A Linha ABC 707 450 179 pode dar apoio nesta matéria, ajudando a encontrar a melhor forma de abordar o assunto com essa pessoa e a buscar a solução mais adequada.
Sim. A adolescência é um período de importantes mudanças psicológicas, físicas e sociais que influenciam e impactam a vida adulta. O consumo de drogas nesta etapa de desenvolvimento é particularmente problemático para a saúde mental e física, podendo levar ao surgimento de situações graves e irreversíveis. Estas substâncias afetam o desenvolvimento e a maturação de zonas do cérebro responsáveis pela tomada de decisão, planeamento e construção da personalidade, as quais podem ficar comprometidas pelo seu consumo na adolescência.
A tarefa de explicar os perigos do consumo de drogas nem sempre é fácil. A melhor forma de o fazer é conversando abertamente com o seu filho informando-o com fatos verdadeiros, sem moralismos ou ameaças. A ABC está consciente de que a variedade e as características das substâncias psicoativas, assim como os hábitos de consumo, estão sempre em mudança, dificultando por vezes a explicação dos perigos a elas associados. Neste sentido a Associação criou respostas para ajudar pais e educadores na transmissão de informações atualizadas e fundamentadas: pode procurar uma ajuda mais geral através do ABC Linha, ligando para o 707 450 179; ou mais personalizada, através do ABC Orientação, marcando uma consulta para o 215 982 137 ou 911 700 968.
A melhor forma de descobrir se o seu filho consome é perguntando-lhe direta e calmamente. No entanto é fundamental prestar atenção aos seus comportamentos, consciente de que a adolescência é um período de profundas mudanças, oscilações de humor e atitudes imprevistas. Deve sempre ter em atenção estes aspetos para poder identificar os sinais com clareza e não confundi-los com a rebeldia própria da idade.
Alguns dos sinais de alerta para consumo recente são: fala arrastada, olhos vermelhos, pupilas dilatadas, apetite anormal, euforia, disforia (mudança repentina de humor para um estado de tristeza ou angustia).
Os sinais que indicam um consumo habitual, embora não necessariamente recente, poderão ser: oscilações bruscas de humor, isolamento, mentiras, faltas e atrasos na escola, mudança de grupo de amigos, agressividade/passividade, perda de objetos de valor e pedidos de mais dinheiro.
A tomada de consciência de que tem um filho que consome drogas pode ser seguida de alguma frustração, raiva ou mesmo passividade, indiferença e, muitas vezes, negação.
O primeiro passo é abrandar, aceitar e enfrentar a realidade, já que a negação dos pais apenas agrava o problema. Em seguida deverá conversar abertamente com o seu filho(a) sobre as suas preocupações e afirmar a sua posição relativamente a este tema.
Paralela ou posteriormente, deverá procurar apoio especializado que o ajude a lidar com este problema.
A pensar nestas situações a Associação ABC criou respostas para ajudar pais e educadores que se defrontem com esta situação, nomeadamente: uma ajuda mais geral através do ABC Linha, ligando para o 707 450 179; ou mais personalizada através do ABC Orientação, marcando uma consulta para o 215 982 137 ou 911 700 968.
A negação é um comportamento frequente nos jovens consumidores que ainda não tomaram consciência do seu problema. Para ajudar o seu filho é importante conversar com ele e tentar fazer com que este aceite que tem um problema, perceber os motivos do consumo e a sua gravidade, assim como dar-lhe a conhecer as consequências que isso poderá trazer para a sua vida.
Paralela ou posteriormente, deverá procurar apoio especializado que o ajude a lidar com este problema.
A pensar nestas situações a Associação ABC criou respostas para ajudar pais e educadores que se defrontem com esta situação, nomeadamente: uma ajuda mais geral através do ABC Linha, ligando para o 707 450 179; ou mais personalizada através do ABC Orientação ou do ABC Intervenção, marcando para o 215 982 137 ou 911 700 968.Para prevenir o consumo destas substâncias o seu filho deve estar informado e sensibilizado para esta problemática. Para tal, é importante fomentar uma relação familiar onde exista espaço para falar abertamente e criticamente sobre este assunto. Da sua parte é ainda fundamental estar bem informado sobre este tema e ter especial atenção às regras, aos limites, ao afeto e ao diálogo.
Este espaço destina-se à desmistificação de um conjunto afirmações comuns sobre Substâncias Psicoativas e sobre os riscos do seu consumo, tendo por base as informações e estudos mais recentes sobre estas matérias.
A canábis é uma droga de abuso, assim como o álcool, heroína e a cocaína, uma vez que provocam alterações psicológicas e têm a capacidade de criar adição.
A canábis (planta de onde sai a chamada vulgarmente marijuana e a resina de canábis ou haxixe) está cada vez mais potente. Se há alguns anos tinha uma potência relativa, com 3% do princípio ativo tetrahidrocanabinol (THC), hoje há plantas com 20% de THC.
O aparecimento dos canabinoides sintéticos veio tornar a situação ainda mais preocupante, uma vez que estas substâncias são extremamente potentes, podendo ter consequências diversas e potencialmente mais graves para a saúde.
As características do crescimento na adolescência potenciam uma maior vulnerabilidade aos consumos de canábis, podendo alterar os processos normais de desenvolvimento neuronal envolvidos na maturação do cérebro, possivelmente induzindo disfunções nos sistemas neurotransmissores mais relevantes.
O consumo diário de Canábis aumenta até 5/6 vezes o risco de desenvolver uma doença psicótica, como a esquizofrenia. Dos novos casos de esquizofrenia, 25% estão associados ao consumo diário de Canábis. Quanto mais cedo e frequente for o consumo maior será o perigo.
O uso regular de canábis entre as idades de 14 e 24 anos aumenta muito a probabilidade de experienciar episódios psicóticos e até de se vir a desenvolver esquizofrenia.
60% dos adolescentes, menores de 18 anos, que consomem frequentemente canábis não conseguem completar o ensino secundário, têm 18 vezes maior probabilidade de se tornarem dependentes, 7 vezes maior probabilidade de tentar o suicídio e 8 vezes maior probabilidade de se tornarem utilizadores de outras substâncias ilegais no futuro.
O consumo de Canábis aumenta o risco de ter um acidente rodoviário.
Logo a seguir ao álcool, a canábis tem surgido sempre como a droga mais consumida em Portugal, constatando-se nos estudos mais recentes que, nas populações escolares, há uma tendência para aumentar essa prevalência.
Em Portugal 7,9% dos adolescentes entre o 8º e o 10º ano de escolaridade já experimentaram canábis, sendo a média de idade de experimentação de 13,9 anos. A maioria dos alunos que consomem, referem que consumiram 20 dias ou mais durante os últimos 30 dias.
(Relatório HBSC – A saúde dos adolescentes portugueses, 2014)
A Canábis é responsável por 80% das apreensões de droga e as sanções por fornecimento de um quilograma de Canábis podem variar entre 1 ano e meio a 10 anos de cadeia.
(Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, 2015)
Portugal é um dos países do mundo que mais consome álcool, sendo que cada português consome em média cerca de 13 litros de álcool por ano, elevando o risco de desenvolver dependência ou doenças físicas (como o cancro do fígado e cirrose).
Os acidentes de viação são de longe a principal causa de morte dos jovens portugueses. 90% dos acidentes mortais estão relacionados com o fator humano, e estima-se que em metade o álcool em excesso esteja na sua origem.
O consumo excessivo de álcool é responsável por 7.4% do total de mortes prematuras em jovens.
(Uma velha questão numa população jovem: o consumo do álcool nos adolescentes escolarizados)
A forma como os jovens consomem álcool tem sofrido alterações drásticas nos últimos anos, tendo aumentado significativamente o fenómeno designado de Binge Drinking (a ingestão de cinco ou mais bebidas alcoólicas numa só ocasião, com o propósito de provocar um efeito de embriaguez ou “pedrada” rápida).
O Binge Drinking aumenta o risco de desenvolvimento de dependência química e é diretamente responsável pelo aumento do insucesso escolar, de problemas legais, de doenças sexualmente transmissíveis e gravidezes não desejadas.
O consumo excessivo de álcool na adolescência está fortemente associado com morte violenta.
O consumo de álcool na adolescência prejudica gravemente a memória e as capacidades intelectuais.
Atualmente sabe-se que o álcool é uma porta de entrada para o consumo de drogas ilícitas.
Entende-se por "Novas Substâncias Psicoativas" um novo estupefaciente ou um novo psicotrópico, puro ou numa preparação, que não seja controlado pelas convenções internacionais sobre substâncias psicotrópicas, mas que possa constituir uma ameaça para a saúde pública comparável à das substâncias enumeradas nessas convenções.
(SICAD - Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências)
As novas substâncias psicoativas, também conhecidas como "drogas legais" são substâncias nocivas muitas vezes utilizadas na UE como alternativas às drogas ilegais como a cocaína e o ecstasy, especialmente pelos jovens. Estas substâncias psicoativas estimulam ou deprimem o sistema nervosa central, causando alucinações, alterações na função motora, comportamento, perceção, e humor.
(Parlamento Europeu - Sessão plenária Artigo - Saúde pública – 2014)
Entre 2009 e 2014 foram identificadas 369 NSP, e em 2014 foram registados 651 sítios na internet que vendem legal highs na Europa.
Ainda se desconhecem os efeitos imediatos e a longo prazo para a saúde de algumas destas substâncias, o que torna difícil a intervenção e tratamento em situações de intoxicação aguda.
O consumo destas substâncias correlaciona-se com um maior risco de surgimento de distúrbios psiquiátricos, como distúrbios psicóticos, neurológicos e desenvolvimento de problemas cardíacos.
Dos casos de consumo de drogas sintéticas que deram entrada nas urgências, 35.2% experienciou episódios psicóticos, 44.1% um estado de confusão aguda, 32.4% estados de ansiedade e 11.8% arritmias.
Num estudo realizado pelo SICAD, aferiu-se que 29% dos jovens já tinha experimentado Novas Substâncias Psicoativas, sendo que 18.6% o tinha realizado nos últimos 12 meses.